segunda-feira, 16 de maio de 2011
Facto.
sábado, 14 de maio de 2011
Marcos 8:34b
segunda-feira, 2 de maio de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Entranhas expostas
Tenho sempre muito medo que as minhas faltas e falhas hajam como um repelente para ti. Tenho medo que mudes, que depois de tantas horas de separação o teu riso não seja mais o mesmo, nem a tua voz, nem o teu íntimo. Também tenho medo do esquecimento, da inconsistência, das deformações mnésicas. Tenho medo que me aches inquisidora e que, portanto, nada partilhes. Tenho medo que me deixes para trás. Que me excluas da roda da tua existência. Receio que espalhes pelo vento os secretos segredos que deixei contigo.
E depois concluo que o que tenho, na verdade, é muito medo de mim.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Resposta: sim.
sábado, 2 de abril de 2011
Casa.
A casa é um reflexo de quem a habita e das suas preocupações. Um dos meus maiores sonhos é ter uma casa, todos quantos me conhecem de verdade o sabem bem. Sonho com ela dia e noite, e apesar da incerteza que circunda este sonho, e de como ele se elabora com alguma volatilidade, há coisas tremendamente definidas no que à minha casa concerne:
- Terá as portas escancaradas. “Se vens por bem, fica.”
- Se for possível, não terá televisão. Se tiver televisão, será pequena e não estará no centro da sala.
- Sítio não faltará para, quem quiser, se sentar. As melhores conversas são tidas quando se está confortável.
- Terá um armário especial de “Coisas para visitas inesperadas”. Coisas sem as quais ninguém passa quando fica fora da sua casa (escovas de dentes, roupa interior, pijamas…)
- Os sapatos que andam na rua ficarão à porta; dentro de casa, só meias e chinelos. (se viver em África, nem serão precisas meias).
- Tentarei sempre evitar formalidades. “Não faças/tenhas cerimónias” – sempre gostei tanto desta frase, e ainda mais quando é realmente aplicada.
- E no dia em que tudo “estiver pronto” farei uma festa com cânticos e louvores e muitos risos; para acolher os meus e com eles partilhar tamanha concretização.
Anseio pela minha casa, e pelo reflexo que ela será dos meus propósitos; desejo que ela seja usada para Ele fazer o que Lhe aprouver. Entretanto, espero; enquanto isso, escrevo para me não esquecer, e sonho mais um bocadinho.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Romanos 12:15 (*)
Não custa confortar um amigo, um irmão. Basta (1) ter compaixão dele – sofrer com ele, como se estivéssemos em o coração dele; (2) dizer aquilo que Deus nos sussurra ao ouvido; (3) dizer aquilo que gostaríamos de ouvir, que nos aqueceria o coração de tal maneira que fizesse tudo o que fosse mau derreter-se e evaporar-se.
Não custa nada confortar um amigo, um irmão. Basta (1) amar.
(*) link
domingo, 27 de março de 2011
Ontem.
Hoje é sábado, e por esse mundo fora brinca-se à Hora do Planeta. Tal “jogo” consiste em deixar a Terra respirar durante uma hora, tendo toas as luzes e energia eléctrica apagadas. Parece que o ambiente interessa muito aqui em casa, porque aderimos (quase) massivamente. À semelhança do que acontecia no tempo das lareiras, a maioria de nós está reunido onde existe a maior quantidade de luz, pelo que rimos e brincamos e contamos histórias e conversas sem parar, porque é assim que o tempo passa de forma mais deliciosa.
Num desses momentos o meu irmão lembra-se de partilhar um poema que tinha lido, aleatoriamente, no livro de português, durante uma actividade aborrecida. Antes de o ler, introduziu: “depois de ler isto quase chorei!”. Passo a copiá-lo:
“na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.”
José Luís Peixoto, 2007
Depois de ele o ter lido e olhado em volta, também quase chorei. Não sei se pelo facto de me ter identificado profundamente, não sei se pela tremenda sensibilidade dele, não sei se pela saudade que chegou do futuro quando estivermos (momentaneamente) apartados; mas quase chorei.
“Seremos sempre cinco.”
Amén.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Bênçãos sem fim (ou: receita para ultrapassar os dias difíceis)

Há ainda muito que crescer, muito que caminhar, e muitas pessoas por conhecer. Mas há uma certeza funda de que eu já encontrei as melhores amigas que algum dia julguei encontrar. Se me precipito ou escrevo um facto, o tempo o dirá. Por agora, o meu coração crê nisto com todas as forças que tem. E eu não cesso de Lhe agradecer por cada uma delas, pelas cores com que pintam os meus dias, pelo desafio que é chegar-lhes aos calcanhares; pela maneira como irradiam os meus dias sombrios, mesmo que nada digam. Existem, e já é o bastante ♥
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Marcel Moldovan
Chama-se Marcel, tem apenas 4 dentes no maxilar superior e um filho. Também tem uma dívida de € 1820, por não pagar a renda de casa, uma fotografia corroída pelo muito sujo e parco tempo, olhos que se humilham a cada palavra e revistas (que nada interessam) para vender.
Interpelou-me e incitou-me a comprar uma daquelas. Disse-lhe que não queria e que não trazia dinheiro. Continuou a insistir, dizendo que não era isso que queria, uma vez que o filho precisava de um leite. Felizmente trazia um pacote na carteira e podia ajudar: sorri de contentamento e estendi-lho; exasperado esbracejou “NÃO!”, não era nada daquilo, recolhi-me envergonhada. O filho estava doente e precisava de um leite medicinal cuja embalagem (mais pequena) custa € 9.
O que é que eu faço? O que é que eu faço com o mundo, com a emigração, com a pobreza? O que é que eu faço com esta culpa, com este aperto, com esta coisa que me come por dentro e faz chorar? O que é que eu faço com o Marcel, com o filho, com as rendas, com o mau cheiro, com os seus poucos dentes, com a sua fome? Oh Deus!!!, o que é que eu faço? “Se me ajudas Deus ajuda a tua família!” – ralhei-lhe tanto por ter proferido tal chantagem! “Não é pelas obras!!!”, clamei com palavras que não estas.
Conversamos à chuva durante alguns momentos e no final fiquei com a sua morada, os registos das dívidas, o NIB e o contacto da senhoria. Despedi-me do Marcel e recolhi-me para a turbulência da minha alma. E agora? O que é que eu faço.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Reabilitação
Faltam exactamente quatro minutos para terminar um desafio que aceitei, sem pensar muito no assunto, há uma semana atrás: ficar sete dias sem frequentar quaisquer redes sociais. O pensamento que me assola é: posso prolongar o dito cujo por mais sete dias? É que esta relação com o facebook e sites afins é uma canseira e um malefício para a saúde mental.
Durante esta semana passei menos tempo no computador, deitei-me mais cedo todos os dias, concentrei-me mais nas conversas com as pessoas enquanto estava na internet, só recebi informações importantes (acerca dos amigos, seus pensares e sentires, etc.), aprofundei a leitura acerca de assuntos que considero importantes mas que “nunca tenho tempo para ler” e desliguei-me da ânsia de “partilhar” ou “gostar”, embora às vezes tivesse imensa vontade.
(o desafio já terminou há três minutos)
Se prosseguir fiel ao combinado fosse demasiado difícil, era-nos sugerida a leitura dos capítulos cinco, seis e sete do livro de Marcos. Não os li. Porém, não voltarei ao facebook sem os ler.
(o desafio já terminou há sete minutos)
Está tarde, não é? Talvez guarde para amanhã a visita ao facebook que podia fazer hoje.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Vida em abundância.
“Porque vale mais um dia nos Teus átrios do que, em outra parte, mil. Preferiria estar à porta da Casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade. Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na rectidão. Senhor dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em Ti põe a sua confiança.” (Salmos 84:10-12)
Foi um fim-de-semana atulhado das coisas Dele, só para Ele, para trás e para diante com apenas um propósito e nada mais em mente: o trabalho do Pai. E eu podia viver assim todos os dias, sem pensar em mais nada, sem me ocupar com outra qualquer coisa; apenas embebida na Sua Palavra, estudando e dissecando o mais que posso; apenas servindo em perfeita comunhão com os que me acompanham nesta louca jornada; apenas orando e reflectindo na Sua assombrosa perfeição.
Não há nada melhor; nada.
(Ao som de clicar aqui)