APONTAMENTO
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Álvaro de Campos, 1929
"Não se pode dissecar a alma de um poema"
(Senhor que foi à minha escola recitar poemas de Fernando Pessoa)
Beijinho
sábado, 25 de novembro de 2006
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Do dia do intercâmbio
O que mais dói, a quem quer que seja, é a saudade.
Por se ter perdido alguém definitivamente ou por apenas se estar longe, saudades doem como … como chagas, ou então como a lágrima solta no ‘adeus’.
O intuito destas palavras, não é transmitir a melancolia (apesar de parecer).
Não estou efectivamente a queixar-me, estou apenas a expressar-me.
O sentimento acumula-se, e deixa o coração meio desacomodado, é bem verdade. Mas a certeza do reencontro, supera todas estas coisas.
Foi bom ter aprendido a estar grata pelo que tenho, visto que estou apenas a uns dias de distância de quem preciso de ver, para que o miocárdio permaneça intacto.
‘Uns dias’ é uma expressão deveras relativa.
E visto deste lado, já falta pouco.
(Não vos parece?)
(Texto de dia 31 de Outubro de 2006)
[ PAUSA NISTO, ATÉ QUE OS APETITES PARA POSTS VOLTEM ] (!)
terça-feira, 31 de outubro de 2006

A minha LIDLa e eu
Hoje não há textos pré-preparados, ou fotografias trabalhadas.
Hoje só há a minha mão estendida para agarrar a tua, que pede ajuda.
Vou estar sempre aqui para ti, como sempre foi e continuará a ser.
Por muito que o teu coração fique estilhaçado, eu farei todos os impossíveis por arranjar a melhor maneira de colocar cada peça no seu lugar primário.
Já vivemos tanto, já passámos tanto, e foi a nossa história que nos tornou no que somos.
Inseparáveis.
(Must Get Out - Maroon 5) (com carícias no cabelo, e o desejo de que tudo volte ao normal)
Beijinho *
quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Fotografia das férias , uma das idas à praçinha
O tempo que passou desde que postei aqui qualquer coisa , já foi algum .
E eu começo a ressentir-me por não ter vontade de escrever com frequência , como sucedia antigamente.
Com o início das actividades intra e extra escolares, o tempo escasseia para o lazer e para a futilidade que se torna , a pouco e pouco , sentar-me em frente desta máquina para não fazer nada de útil .
E eis que tu invades delicadamente a minha consciência . Fraquejo e cedo às lágrimas mais vezes, pois as saudades apertam, e sufocam, e doem.
A falta que fazes é indescritível e talvez seja por essa razão que me sinto mais vulnerável. Ainda assim, faço-me forte para o mundo e para as gentes, sejam elas quais forem, cada vez que me perguntam como estás, e quando voltas, e se estou a encarar bem a tua ausência.
Fujo do assunto para não se notarem os olhos marejados de saudade e apertos no peito.
E para parar de pensar no perigo diário que enfrentas , nos desafios e barreiras que ultrapassas, e no sacrifício que aceitas para nos fazeres felizes.
Porém , quando saio da rua e encontro a casa vazia , não estando lá ninguém para me abraçar, dizer o habitual e me reconfortar, sento-me no chão enquanto olho em meu redor, um redor cheio de marcas e sinais teus.
Quando ninguém vê, choro. E peço-te que voltes.
Ouves-me ? #
Um Beijo
*
terça-feira, 26 de setembro de 2006
(A Joana é que tirou)Tomorrow, if it rains
I will dance in the rain with you.
If it snows we will make snow pancakes and eat them together.
If it’s cold I will warm myself in your smile.
If it’s hot I will cool myself with your slow clear voice.
If there is a fog I will be happy to lose myself for a time.(But please come and find me, won’t you?)
Weather Forecast (tirado de uma ficha de exercícios)
terça-feira, 19 de setembro de 2006
(Fotografia da minha autoria , tempo de férias , passeio na praia com a Nádia) Desviou-se o paralelo um quase nada
E tudo escureceu:
Era luz disfarçada em madrugada
A luz que me envolveu.
A geométrica forma dos meus passos
Procura um mar redondo.
Levo comigo, dentro dos meus braços, oculto,
Todo o mundo.
Sozinha já não vou.
Apenas fujo, às negras emboscadas.
Em cada esfera desenho o meu refúgio -
- As minhas coordenadas .
As coordenadas líricas * Fernanda Botelho
Fiz um post igual na minha mais recente pancada . Mas eu gosto mesmo deste poema ' fazê o quê ' !
Um Beijo
*
sábado, 16 de setembro de 2006
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
O meu (macro) porta-chaves.O barulhinho agradável das teclas já é familiar às pontas dos dedos cansados .
Os olhos já estão saturados de algumas banalidades que se processam neste ecrã.
Necessito do impacto do contacto directo, sem intermediários de alta tecnologia.
Quero mais é poder viajar a pé, de autocarro, de comboio ou de barco, ou mesmo de teleférico.
Quero é poder alcançar quem deixei em outras terras (relativamente) distantes, e de quem tanto sinto a falta .
' É isto ! Percebem o que quero dizer ? ' Ou não percebem ?
Um Beijo
*
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
Fotogarfia tirada e trabalhada por mim (': no aniversário de namoro dos manosEu gosto de várias coisas . (Isto parece-se mesmo com um texto escrito por mim, mas um mim com sete anos)
Mas duas das coisas de que gosto realmente são histórias de amor e amizades a florescer ou em fase de amadurecimento.
Vi um filme com um enredo a tender para o banal, mas lá está ! era uma historia de amor. Digamos que, apesar de estar com a minha prima em casa sempre a pedir-me para mudar de canal para ela ver outro programa, e de ver o filme com várias interrupções, foi uma das ...
Isto está a tornar-se extremamente foleiro e eu não vou continuar a divagar sobre o quanto gostei do filme e porquê.
Na realidade isso pode dizer-se em poucas palavras.
Gostei e muito, porque sou (muito raramente, mas não deixo de ser) lamexas. (Já foram algumas palavras, não ?)
Parece que acerca deste assunto estou esclarecida (sim, porque uma boa parte das vezes em que escrevo é para me esclarecer. Aliás , há uns tempos estava com uma grande amiga minha a organizar a mala de um certo e determinado acampamento [brutal!], e pensava alto enquanto arrumava o caderno, a caneta e O Livro ‘Ora bem, já está tudo arrumado, só faltam as coisas sem as quais não vivo em condições’. Como estava com ela, ia ter com os amigos e levava a mochila comigo, não era de todo mentira ! O que é facto é que ela riu-se quando me ouviu, mas dias depois deu-me razão quando ela própria se apercebeu de que partilhava da minha dependência com os suportes de escrita. Era pior se fosse viciada noutras coisas, não ?) (Mais um grande parêntesis. Já nem sei onde parei. Ah! Sim, esclarecida!)
Então só falta falar das amizade a florescer ou em fase de amadurecimento.
Já alguma vez sentiram aquela alegria contagiante apoderar-se do vosso ser, só de ouvir a pessoa do outro lado da linha dar uma gargalhada, ou senti-la sorrir pelo tom de voz?
Ora aí está ! Era exactamente nesse ponto fulcral que queria tocar. É que aquelas amizades, que apesar de terem poucos dias de experiência, ou mesmo aquelas que já duram há séculos, fazem-nos sempre ficar a sorrir nestes momentos, durante as grandes conversas em que se despedem uma quantia considerável de euros e até três horas depois da conversa acabar.
Meus amigos, e grandes viciados no MSN e em chats, eu lamento dizer, mas a menos que ambas as pessoas estejam equipadas com webcam’s e microfones (e mesmo assim ainda é difícil), nada substituirá a grandeza de certos momentos, tais como o abraço, o timbre da voz, a dicção das palavras, o beijo e olhar.
E desafio alguém a convencer-me do contrário (LOL. Sabem que é inútil devido ao simples facto de eu ser teimosa como só eu sei ser, e porque acredito piamente nisto).
Ponto final
Um Beijo *
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Capela do sítio mágicoVoltei para casa já há três dias e ainda não consegui escrever uma única linha sobre as duas semanas que me reanimaram o coração.
Não descrevi as amizades reencontradas, as amizades iniciadas, as flores, o vento, o mar, as crianças, os sorrisos, os trabalhos, as lições de vida, as lágrimas, os abraços, as partilhas, o nariz entupido, a rouquidão, as gripes com febre, os baloiços, as fotografias, as cartas, a sueca e a bisca, a casa Teninson, as mãos dadas, as lamexices, os ensaios, as idas às piscinas, as tentativas frustradas de mergulhar em águas revoltas, as grande conversas, as conversas que se queriam grandes mas eram sempre interrompidas, os chocolates, os (muitos!) gelados, os presentes, as gargalhadas, o stress das ‘noites de gala’, os rascunhos, os seminários, os desabafos, os debates (dentro e fora de salas), o sono, o chouriço, a queima do chouriço que não se realizou, a lua, a tão bela lua, o frio da noite, o orvalho respirado à janela quando se acordava cedo, os banhos de água gélida a altas horas da noite (ou então bem cedinho pela manhã), o cuidar de quem gostamos, os filmes, o (tão treinado) inglês, a ‘Quinta’, o vólei, as corridas e parvoíces, as conversas intensas e longas com o Big Boss (como diz a Olga), aquele sentimento de identificação plena com um ser nunca antes visto, o aperto de mão à chegada e o abraço de não querer largar à partida, o ‘prometes?!’ mil e uma vezes repetido, os convites, a troca de contactos, a força, o reerguer do corpo e da alma, as saudades, os longos passeios na areia, as meias partilhadas, os ralhetes, os jogos de damas e de dominó, as conchas, as pedras, as músicas, os tics, o bem-estar geral, a cumplicidade que, de tão grande que era, até se podia respirar, os cadernos, os livros, O Livro, a erva, a caruma, as formigas e moscas, os bichos enormes e com antenas, o telemóvel sem bateria, a dor de querer estar perto e estar longe, o despender de dinheiro apenas porque se gosta, as surpresas com a variante de balde de água fria, o aprender mais do outro, o compreender, o aceitar e amar mesmo assim, os amigos, as amigas, as manas, a imensidão de amor que ali existe, as conquistas, as batalhas, os medos vencidos, os cultos, o louvor, a paragem para beber água, o repousar de tanto se estar cansado, as cantorias, as guitarradas, o pôr do sol, o jantar à luz do pôr do sol, o tacto, a euforia, a expectativa, as histórias, as piadas ...
E tantas , mas tantas outras coisas.
Não encontro uma única palavra para descrever quão magníficas foram estas semanas.
Não obstante as saudades que já sentia pelos que cá deixei, o sentimento que em mim se instalou dividia-me de tal forma que o querer ficar se transformou no querer partir, ainda mais quando vi cada par de olhos marejados de lágrimas pela saudade que já se sentia naquele adeus.
Agora, estou aqui sentada, impaciente por alcançar a liberdade e os meios para me meter num qualquer comboio e partir ao encontro de todos aqueles que agora caminham a meu lado, ou pelo menos caminharam durante uma semana ou duas.
Vocês que deixaram aquela marca em mim, sabem bem quem são.
Aqueles que deixei e aqueles para quem voltei.
O certo é que no meu coração cabem todinhos.
(Quanta lamexice !)
Um Beijo
*
quinta-feira, 27 de julho de 2006
Tiarada por não sei quem (não sei quem tira fotos muito engraçadas), nos anos dela.Porque é que todo o ser humano tem esta profunda necessidade de coexistir com outro do sexo oposto (nestes tempos modernos, por vezes, sendo do mesmo sexo) numa relação que (em certos casos) é inabalável, duradoura, feliz, essencialmente apaixonante e onde o amor rege essa existência partilhada ?
Esta filosofia do 1+1=1 melhor , confunde-me .
Mas há coisa melhor que estar perdidamente apaixonado ?
Ainda que não o entenda por completo, sei de cor esses sintomas, não por serem frequentes, mas porque foram intensos quando existiram.
Eu queria dizer mais qualquer coisa, mas as palavras não fluem nesta tentativa frustrada de definir o que me vai na alma. Pode ser que na quietude do descanso, quando estiver desprevenida, a resposta à minha pergunta apareça em forma de ... apareça num formato perceptível e esclarecedor, de modo a responder a esta e muitas outras perguntas curiosamente pertinentes, razão pela qual ando ávida de soluções.
-*-
Sim, já me ralharam por me ter esquecido de dar prémios ! (:
Prima Ana Carolina, mais conhecida por Xinoca (ou ainda ‘Xinoca fugiu!’), o teu prémio é o de Pessoa Que Me Ajuda a Comer Um Pacote de Bolachas Inteiro e de Pessoa Que Explica Que Devo Fugir Dos Estranhos Que Estão À Porta E Ir Dizer À Minha Mãe Que Estou Mal Porque Estou A Passar Pela Crise Dos 5 Anos, de Pessoa Que Diz melhor ‘OH MY GOD ! WHY ?!’... Prémio de Melhor Prima Do Universo e Arredores, porque fazer-me rir e ajudar-me são duas das tuas maiores (e muitas) qualidades, dado que tens uma maturidade que muito pouca gente nota.
Para a menina Ana Teresa vai o prémio de de Pessoa Que Tem Sempre Uma Coisa Nova Pra Partilhar, Que Tem Sempre Música Interessante E Com Quem É Bom Conversar.
Está tudo satisfeito !? x’D
Vocês merecem !
-*-
Pensamentos ao som desta óptima música.
Um Beijo
*
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