quinta-feira, 5 de junho de 2008

Eu digo e repito:

Apesar de toda a alegria e satisfação que é desenvolver um projecto fotográfico, apesar do êxtase que se sente ao ver os frutos do trabalho árduo, Área de Projecto é tal e qual como Alcochete.


Jamé!

domingo, 1 de junho de 2008

Só tenho a dizer que...

... não podia pedir uma existência melhor do que a que tenho.
Feliz até ao tutano, com tudo o que isso implica.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Música, como viver sem ela? (4)

Ontem o dia acabou de uma maneira áspera. Já tinha tido umas superfícies rugosas no seu desenrolar, mas o seu culminar, mais que áspero, foi ácido.

Esta música embalou-me até as pálpebras cobrirem os globos oculares; embalou-me até ao acordar desta manhã. E eis que, ligando-me ao mundo através dessa teia imensa que é a Internet, redescobri canções que já me embalaram os dias, que os perfumaram com um odor doce e memorável. Através desta e desta regressei a um Verão bonito e marcante, regressei aos tempos relaxados e despreocupados. Como é que as pude deixar na gaveta durante tanto tempo?

Mesmo assim, antes de ouvir as duas mencionadas, ouvi esta em primeiro lugar. O reencontro foi tudo o que eu precisava; “Um sopro, um calafrio, raio de sol no refrão. Um nexo enchendo o vazio, tudo isso veio numa simples canção”
(Clã). Reencontrei uma das canções que me afagava a alma em momentos menos macios e que o continua a fazer.

Hoje não coloco aqui quaisquer vídeos. Se as letras o/a incitaram a procurar as melodias que as acompanham, faça-o o/a leitor/leitora por auto recriação. Garanto que não se irá arrepender.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Declaração (2)

A percepção para certas realidades aguça-se em mim há medida que os meses e os dias vão passando. As constatações são constantes e pertinentes, factos meus que eu desconhecia. A situação que me tem criado mais incómodo nestes últimos tempos está a tornar-se exasperante. E não pelas razões esperadas; exasperante não por culpa de quem vive no outro corpo, mas porque estou a ter inúmeras dificuldades em lidar com tal conjuntura.

Convivo com este outro ser durante a semana inteira e, por força das circunstâncias, em alguns fins-de-semana. É uma personagem deveras peculiar, como, aliás, o são todas. Tem imensa propensão para a inconveniência, peca por ansiar objectivar, registar, expressar, marcar tudo e mais qualquer coisa. Tem algumas das suas ideias demasiado fixas, e por vezes custa-lhe afastar-se das mesmas. Apesar de tudo, parece, a quem de fora observa, uma paz de alma, e verdade seja dita, paciência e capacidade de trabalho são qualidades que não lhe faltam.

Ora, juntando todos os elementos acima descritos obtemos alguém com quem pode ser, ao mesmo tempo, excelente e péssimo trabalhar. Excelente quando efectivamente trabalhamos, quando somos incisivos e cumprimos objectivos preestabelecidos, quando se distribuem tarefas e se apresenta o resultado do esforço. Mas péssimo quando toca a tomar decisões, a partilhar alvos, a estabelecer prioridades. Péssimo quando é preciso tomar decisões rápidas e eficazes, falar menos para se passar à acção mais rapidamente; péssimo quando se torna exasperante explicar o essencial de uma ideia e se é constantemente interrompido com objecções.

É uma grande espada de dois gumes e nunca fui muito boa no manejo da mesma. A mostarda alcança as narinas facilmente, dado que também o meu temperamento é difícil. Tenho muita dificuldade em ignorar, menosprezar, não ficar aborrecida com comportamentos inusitados e descontextualizados. Já sei, já sei. Não devo dar tanta importância a manias menores, não devo ligar e aborrecer-me com ninharias. Mas já dizia o ditado “ninharia a ninharia enche a ‘stressada’ o saco”.

É dar-Lhe ouvidos na hora da irritação, deixar que Ele me acalme e me aclare as ideias. Sim, porque se tal não sucedesse, há muito que as verdades já teriam saído disparatadamente. Deixariam, assim, de ser verdades, passariam a insultuosas faltas contra o outro ser, do outro corpo. (suspiro) Já me julgava tão grandinha. Ainda tenho tanto para crescer.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Música, como viver sem ela? (3)

Hoje acordei com esta. Chama-se Game, e é dos Beady Belle. Aproveito para confessar que esta foi a primeira vez em que ouvi a música na íntegra; foi amor à primeira vista. Apreciem, aproveitem.





Um beijinho*

sábado, 3 de maio de 2008

Bifurcação

“Vai!”, disse-lhe enquanto ia. Dizia-lhe que fosse, mas quem partia era o seu corpo, cansado da letargia em que se tinham afogado. Partiu e caminhou durante dias. Desbravou um caminho duro e incerto, o caminho que se tinha impedido de percorrer durante tempo indeterminado; o seu próprio caminho, o da sua alma. Assim andava, assim crescia, assim melhor se conhecia.

Ao esforçar-se em demasia, descansou; três dias apenas. Estando o corpo recuperado, percorreu aquele caminho já trilhado, desta vez, porém, na direcção oposta. Queria reencontrar o outro corpo; aquele que albergava a única alma capaz de entender a importância da partilha das descobertas que tinha feito na sua jornada. Ao alcançar o local de partida, encontrou-o destituído de quaisquer passos, quaisquer corpos, quaisquer marcas da presença de quem pretendia encontrar. E clamou durante longos minutos, gritou sem cessar. A voz falhou. Os braços caíram, arrastando o esqueleto para o solo. A sua respiração sôfrega e intermitente parecia estar prestes a cessar.

Pensava já ter caminhado tudo, mas esta era a bifurcação que tanto pavor lhe suscitava. Partir. Ou permanecer.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Há coisas fantásticas, não há?

A qualidade desta letra, a precisão com que cada palavra é dita… uma coisa impressionante.

Vejam e apreciem; vão por mim, vale a pena.



(-Ken leeee, tulibu dibu douchoo
(…)
-What was that language?
- English.)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Efeitos Colaterais

Atchim!, espirra o corpo dormente. Fungam as narinas ansiosas por alguma regularidade na entrada de oxigénio e saída de dióxido de carbono. Queixa-se a garganta porque já não aguenta tantas impurezas que magoam. Lateja a cabeça e transpiram os poros; a febre sobe e entorpece a vontade. Pega a mão no copo de água que encaminhará o comprimido até ao seu local de acção. Pesam as pálpebras e as pestanas, ardem os olhos.

Mais um atchim, mais uma fungadela. Assim é a gripe, ainda mais quando não era suposto aparecer.

sábado, 19 de abril de 2008

Em conversa


Ontem, assistindo a uma conversa entre amigos, a troca de opiniões incendiava-se entre copos altos e olhos mais faladores que as próprias bocas. Eis que um deles pergunta ao outro:

“Só acreditas naquilo que te dizem que existe? E o que não está à vista, não é válido? Nunca descobriste nada?”

Fez-me pensar o serão inteiro, e esse efeito alongou-se até agora.



P.S. A fotografia representa algumas banalidades de um quarto.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Terapia

É raro o dia em que não me sento em frente a esta máquina para pressionar as suas teclas e escriturar. Não é que escreva lindamente, que os meus textos sejam dignos de ser lidos por tudo e todos; não é que diga alguma coisa de importante, embora, de quando em vez, lá acerte em pontos fulcrais nos meus escritos. Mas escrever, expressar-me, traduzir-me em letras e palavras e frases e linhas e textos; liberta-me. Sim, gosto de ser lida pelos demais, caso contrário não publicaria aqui as minhas exposições; mas quando escrevo, escrevo essencialmente para mim mesma (exceptuando as cartas, o meio de comunicação mais saboroso de todos os meios).

Quando escrevo, consigo discernir melhor acerca dessas realidades intra e interpessoais (como gostei desta expressão, menina das inteligências múltiplas). Consigo visualizar-me, sou capaz de entender os estados emocionais que me assolam nesse instante, em que me discorro em linhas. Gosto particularmente de escrever em folhas brancas, com canetas de pontas finas e macias, permanentes. Apraz-me desenhar cada letra, verificar que o resultado final me surpreende de alguma maneira, porque me distancio de mim ao escrever, para me re-aproximar ao compreender.

Folhas vazias e lápis e canetas e teclados e ecrãs são terapia. Debruçar-me sobre os pensamentos que voam dentro do meu crânio e apresentá-los em forma de frases é terapia. Opinar e errar e nada de importante referenciar é terapia. Rabiscar e garatujar e redigir e compor é terapia. A minha terapia.


P.S. Quando fui ao ISPA, as sombras das grades no chão da sala eram tão deliciosas que tive mesmo de as fotografar.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Hoje ; Bênção

Desperto dos sonhos que preencheram uma noite que se suponha de descanso, ergo-me para iniciar mais um dia de existência, que pode ser considerado, ou não, rotina. Levanto-me ambicionando um beijo do sol, que se escondeu atrás das nuvens matutinas e brilha clandestinamente.

A roupa que se cola ao corpo ainda cheira a noite, o mesmo cheiro que tem a cama onde me deitei. E a mente, essa, nem sei a que cheira. Se cheira também a sesta, entorpecidamente congelada pela escuridão das pálpebras, ou se cheira a renovação, a iniciação, como eu tanto gostava que fosse.

Não é mais um dia. É o novo dia. Ninguém me garantiu ontem que fosse acordar hoje. Ninguém mo revelou, ninguém afiançou que a minha saúde ainda se encontraria intacta, a minha família ainda me acompanharia, ainda estivesse aqui o computador ligado à infinita rede que conecta toda a gente. Ninguém me assegurou que mais um dia se me apresentaria e, apesar disso, eu o tomei como garantido. Ontem ao deitar-me pensei neste hoje, que era amanhã, como se fosse apenas e só, mais um dia. É, sim, outro dia, o novo dia; tenho de me desabituar seriamente a tomar as dádivas como algo garantido. Porque, muito sinceramente, ninguém me garante que existirá amanhã, pelo menos para mim, porque o mundo, sem Andreia ou com Andreia, nunca pára.

É por estas e por outras que peço perdão por não me ter lembrado destas coisas mais cedo, enquanto me despedia dos meus queridos, que já partiram para enfrentar o dia novo que acordou hoje. E desejo, também, um novo dia benéfico, útil, são, bonito.

Tem um bom dia.


P.S. Tirei aquela fotografia no Acampamento, a 5 de Abril do presente ano.