terça-feira, 14 de setembro de 2010

Balanço (2)

Nesta altura do campeonato, dos reencontros e abraços e retornos, é muito comum perguntar: então, como foram as férias?

Durante as minhas férias chorei mesmo muito, fui deveras confrontada com a minha pequenez. Foi também durante as minhas férias que ocorreram grandes conflitos no seio de projectos dos quais faço parte, que dei de caras com facetas menos bonitas de pessoas que amo profundamente, que gente querida morreu, que vivi de perto o ateísmo de alguns da minha própria casa. Durante as minhas férias ouvi histórias de crianças de lares destroçados, que passam necessidades profundas, que já viveram horrores a mais para a sua pouca idade. Este tempo foi tremendamente exaustivo: habituei-me a dormir pouco, às minhas olheiras fundas, a conversas que se prolongam durante a noite, a personalidades difíceis de domar… Nestas férias vi dureza de corações, vi crença na ausência de sentido, cantei-Lhe louvores em frente a pessoas com corações empedernidos.

E depois… o paradoxo abismal, a alegria e a felicidade plenas que vivi com todos os meus queridos, a certeza de ter sido sempre levada ao colo, acarinhada, abraçada e beijada, mimada, silenciada, acalmada pelo meu Pai. Em todo o tempo vi-O em acção, no limpar das lágrimas, na remodelação dos propósitos, dando-me a conhecer gente maravilhosa e comprometida. Em todo o tempo contemplei o modo como tudo acontece como deve e quando deve, e em todo o tempo fiquei abismada.

Como foram as minhas férias? Óptimas e perfeitas (com tudo o que isso implica).

E eu acredito mesmo no que digo e escrevo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Balanço

As férias foram assim:

Intercâmbio com os jovens da SIBVC
Acampamento Musical Adonia
Acampamento de Crianças no AB
Acampamento de Juniores no AB
Duas semanas de descanso e relaxe e mimos com a família
Acampamento de Jovens no AB
Fim-de-semana mágico na Marinha Grande
Conferência Bíblica no AB
Duas semanas no meu Porto, com a família e com os amigos, e o culminar num fim-de-semana perfeito.


Pelo meio: as viagens, as canções (tantas, tantas, tantas!), as partilhas, as cumplicidades, os telefones, os laços novos, os amigos antigos, o serviço, o sustento constante e infalível, os campistas (crianças, juniores e jovens), as saídas, os concertos, os jantares, os irmãos, os pais, os avós, os tios, as primas, os primos, as risadas, as noites mal dormidas, os conflitos, as resoluções, as bênçãos, a morte.


Em tudo: Deus.


Este Verão de dois mil e dez vai ficar para sempre comigo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quando for velhinha direi: (2)

Tudo aconteceu num belo dia em que tinha vinte anos. Olhei e, como diria a M., vi uma luz. (pausa para rir e suspirar) Era uma luz radiante e não antes vista por aqueles lados; uma luz que, não sendo inusitada, resplandecia novidade.

Não me arrisco, de todo, a descrever os seus detalhes físicos; ainda tropeço na ausência de imagens felizes e sou descoberta, coisa que não quero. Mas ele é assim como uma torre, assim como uma nuvem, assim da cor do céu, assim como um forte, assim como um sábio, assim como uma criança, assim como um algodão, assim como… como se uma febre primaveril me assolasse e me toldasse o entendimento.

Num belo dia, em que eu tinha vinte anos, encontrámo-nos, conversámos, descobrimo-nos. As palavras eram parcas, o rubor das faces era excessivo. E, de repente, passou por nós uma (vvvvvvvvvv) rajada de vento que fez voar os dias e as partilhas e só cessou na hora da despedida. Ficaram as letras escritas num papel rasgado, os abraços tímidos e os sorrisos fugazes.

Na minha cabeça, um romance qual filme dos anos cinquenta. No mundo real, um amigo que precisa de apanhar um avião para ir para casa. São assim os amores assolapados sem razões aparentes, só porque a empatia é grande. São assim as paixonetas. Por isso é que afirmo que a minha primeira foi aos vinte anos.


(pausa para rir e suspirar)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

I Tessalonicenses 5:18

Quando algo bom acontece, inusitado ou esperado, pequeno ou grande, a minha mãe levanta os olhos e as mãos para o céu e, sorrindo, diz: “graças!”. Apercebo-me agora que é uma expressão pela qual estou apaixonada e da qual me aproprio sem notar, pois sempre que algo de agradável, bom, surpreendente acontece, na minha mente eu vejo-a, dando “graças!”. Ainda não consigo, porém, lembrar-me deste suspiro de gratidão nos momentos que me não são favoráveis. Durante as frustrações, as derrotas, o cansaço, a preguiça, só esbracejo, só resmungo. Mas não me foi dito: “em tudo dai graças”?…

Que seja assim mesmo:

Pelas coisas ruins que eu não gosto nada, “graças!”, de sorriso nos lábios, e olhos para o alto. “Graças!” pelo crescimento exponencial que elas trazem. Pelas surpresas que se encontram nesses vales sombrios e pelo raio de luz que nunca se apaga, “graças!”.

Ora, se é em tudo, é em tudo. (bela conclusão).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

(sem título) (6)

Eis que a calmaria se instala em mim. Cessam as solicitações, os pensamentos, as conversas árduas e as músicas altissonantes. O senhor Buckley e sua guitarra sussurram-me ao ouvido. Sinto-me cheia de tantas coisas, e ainda há tanta vida para viver; há, ainda, a promessa guardada do dia de amanhã.

Reclino-me na poltrona, saboreio o hoje. Agradeço. Muito, muito, muito.

“Aleluia, aleluia. Aleluia, alelu-u-u-u-ia.” (cantamos juntos, o Jeff e eu.)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Maus costumes (?)

Deitar-me tarde por me perder em músicas bonitas tornou-se um vício.
Associar músicas bonitas a pessoas queridas tornou-se um vício.
Tomar as pessoas por queridas ao conhecê-las pouco e quere-las bem, tem sido um vício.
Conhecer pouco as pessoas, quere-las bem e apaixonar-me perdidamente pela sua personalidade simples sempre foi um vício.

Vivo num ciclo viciado, de enamoramento infantil, tão incontestável que rebenta o peito de existir em tantas quantidades.

E viver assim resulta em: uma mente cheia de sonhos, uma alma recheada de bem, e olheiras.

sábado, 31 de julho de 2010

(coração)

O amor. O amor. O amor.

Gosto tanto de o ouvir, sentir, entender, testemunhar, antever.

Como eu gosto do amor.

(a propósito da celebração do 50º aniversário do matrimónio dos meus avós, e outras coisas que tais.)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Som

Os batuques ritmados chamam as palmas, e estas chamam os corpos.
Nunca nos vimos e, estando lado a lado escutando a mesma canção, dançamos e sorrimos e saboreamos de um modo muito semelhante tudo o que estas sonoridades nos trazem.

São cores de uma terra quente, das memórias que alguém pintou numa pauta musical, e são paladares tão únicos para aqueles que se agitam e movem graciosamente ao som delas.

Nunca nos vimos e, estando lado a lado escutando a mesma canção, bate as palmas; eu danço batendo as palmas; tu danças.

E até parece que partilhamos um momento de cumplicidade, apesar de nunca nos termos visto, escutando a mesma canção.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

As coisas

As coisas de baixo só trazem mesquinhice ao coração. Fazem-me despender energia, tempo e esforço, na maneira como lido com elas, como as adquiro ou como as faço dissolver em nada.

É triste aperceber-me de que a minha pobreza não cessa no meu bolso, prolonga-se até ao meu espírito. E isto por uma simples razão, apenas e só:

(ainda desobedeço e) Penso em demasia nas coisas cá de baixo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Selah

Estar perto de Ti dissipa tudo o resto. A angústia da sede, a ansiedade da fome, a tormenta da dúvida. Estar próxima do Teu coração, saber-Te apenas, e nada mais, faz correr as lágrimas. Incessantes, de contentamento tal que não há imagem que se lhes iguale. Quero esvaziar-me cada vez mais, de mim e das minhas esquisitices; quero encher-me do que a Tua fonte jorra até à eternidade.

Estar perto de Ti dissipa tudo. Tudo.

E a cada dia que cresço nesta intimidade, só me ocorre perguntar:

Quão grande é o Teu amor, que me alcança? É ilógico, irreal, e verdadeiramente transcendente. Quão grande é o Teu amor, que Se deu pelo meu mal? Como pode ser, que me tenhas escolhido e guardado, de tão imerecida forma?

É de joelhos que me largo em prantos. De adoração e súplica. De humilhação e redenção. De gratidão infinita pelo Teu presente de salvação.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mostrar e contar com alegria

Estes têm sido dias de grande cansaço, e em cada um o Senhor me tem levantado para o Seu trabalho, para a Sua honra. Como O louva o meu coração, pela Sua constância e pelo Seu abraço!

Me alegro mais e mais a cada despontar do dia, energizada pela Sua forte mão, pelo Seu eterno amor. Quero contar e mostrar, sem medos nem hesitações o que o meu Papá tem feito a cada dia, sem nunca cessar.

Estes têm sido dias longos e de muitas olheiras. E a perfeição de Deus age sobre as minhas falhas constantes, moldando-me e usando o que também faço de mal para que se cumpra o Seu bem.

E por isso escrevo, sem subterfúgios e sem grandes recursos estilísticos: “meu Deus é tão grande, tão forte e potente, não há nada que não possa fazer!” Ama as crianças, ama o Seu povo, e de uma forma tremendamente inacreditável, ama-me (desmerecidamente!) a mim.

Eu pertenço-Lhe.

terça-feira, 13 de julho de 2010