quinta-feira, 30 de julho de 2015

A minha mana faz anos hoje

Ter um irmão foi épico, deveras maravilhoso, mas ter um pequeno boneco para brincar foi sol de pouca dura. De repente ele começou a andar, a correr, a partir a cabeça, a rasgar os meus livros e a encher o meu quarto de legos e bolas de basket. Por isso pedi uma irmã, uma menina, uma pequena boneca que não me destruísse o quarto e que fosse minha amiga. 

Deus anuiu: há 17 anos atrás, recebi uma mana. O meu pai, que estava em missão num país instável, veio a casa de propósito para a ver durante um mês e meio, e ela resolveu que só ia nascer depois de ele se ir embora. Os avós Chica e Fernando desceram do Porto à Margem Sul para ajudar a mamã que estava sozinha com três rebentos: uma sabichona, um terrorista e uma recém-nascida. 

Como durante muito tempo não se sabia se ia ser menino ou menina, recebeu imensas roupas de cores neutras: amarelas, verdes e brancas. Fazia-me lembrar um sapinho nos primeiros dias de vida, não chorava tanto como o Marcos, graças a Deus (isso também não me fazia muita diferença, eu dormia com ou sem berreiros). Ainda é a bebé da casa, e desconfio que será sempre. É a mais bonita dos três, e a que tem melhor coração. Dizem que somos parecidas, que ela faz e diz coisas que se assemelham muito às coisas que eu fiz e disse. Rogo a Deus que a faça muitas mil vezes melhor que eu, e que a diferencie deste carácter que tem tanto que mudar (para Andreia basta uma). 


Aprendeu o abecedário sozinha, mas só começou a falar depois dos três anos. É uma força de trabalho e determinação, diligente, sonhadora e artista. Assegurou a sua entrada no ensino superior com um ano de avanço, Está sempre a planear o que vai ser ou como vai fazer isto ou aquilo, enche a nossa casa de telas coloridas desde que entrou na adolescência, e dança que é um disparate. 

É grande em tamanho mas tem um coração de menina. Já faz 17 anos mas ainda tem tanto que crescer. Conta com uma vasta colecção de amigos estrangeiros, uma bênção que nasce da sua coragem para enfrentar os seus fantasmas e abrir as asas sem hesitar. 


O ano passado o Senhor permitiu que eu lhe fizesse uma surpresa (e ao Marcos também). Quando vi a sua reacção à minha chegada, naquela manhã de segunda-feira, achei que lhe tinha provocado um ataque de coração. Soluçava de emoção, tinha acabado de acordar e a realidade foi tão chocante que não deu para assimilar o que estava a acontecer. Quem me dera poder fazer o mesmo este ano. (Desculpa bebé, não vai dar.)

Não há pessoas de quem tenha mais saudades. Sonho com eles todas as semanas, estou sempre a pensar nas nossas cantorias, nas nossas sessões de dança, até nas discussões e tontices. Custa-me perceber que gastei tanto do nosso tempo juntos com coisas que não acrescentam bem nenhum. Ao mesmo tempo, dou graças a Deus por nos preservar amigos, apesar dos nossos erros, da distância e da dor da famigerada saudade. Tudo isto é graça!


Recebe este abraço apertado aqui de longe, minha bebé.
(Continuamos à espera do dia em que não teremos um oceano entre nós.)
Goza muito o teu dia, dando sempre graças a Deus por tudo. Amo-te!
MUITOS PARABÉNS!

3 comentários:

Mariajoao Barreiro disse...

Querida sinto muito orgulho de ti e dos manos, meus filhos queridos!
Parabéns também par ti mais uma vez pela pessoa que és e pelos textos maravilhosos que ilustram tão bem a realidade! que Deus te abençoe e te embale sempre nos Seus Braços!
Mamã

Iara Barreiro disse...

Mana: Fico muito feliz por me teres escrito este maravilhoso texto no teu blog! Estou sem palavras. Amo-te muito e agradeço a Deus por te ter como irmã, por a nossa relação estar a desenvolver apesar da distância e por me apoiares sempre. um dia destes, estarás cá outra vez, ou então nós aí no Canadá! Só Deus sabe!

Mil beijos e saudades!! Amo-te muito!

Iara

Anónimo disse...

São todos muito bonitos...............