terça-feira, 13 de março de 2007

Sintra


Hoje, só uma imagem.

Existem alturas em que damos férias às palavras.

*

quarta-feira, 7 de março de 2007

A Rosa


A música embalava, suave.
Fazia esquecer os erros e o cansaço de mais um dia.
A música envolvia e eliminava os ruídos exteriores das máquinas e das teclas, até ao furo no peito provocado por uma situação pendente.
Suspirou. Respirou. E desejou estar numa praia, passeando ao luar, com a aragem quentinha a percorrer-lhe cada poro e a balançar-lhe os cabelos.
Verificou as horas e apercebeu-se das inúmeras tarefas que ainda teria de cumprir antes de culminar o dia e repousar.
O piano cantava sempre os mesmos acordes, mas sabia bem ouvi-lo; sabia a maresia, a amigos e a saudades.

Atingiu o cerne da questão. As saudades. As infindáveis, as infinitas, as insolúveis saudades. Levantou-se, pegou nas chaves e na carteira e saiu. Correu ao encontro do comboio, e apanhou-o instantes depois. Ia finalmente encontrar-se com quem tanto desejava.

Consigo mesma.
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Um beijinho*

domingo, 25 de fevereiro de 2007

(Sem efeitos nenhuns . E sem nome também )

Meia-noite e lua cheia.
Procuro recolher e ordenar cada retalho que deixaste no quarto.
Partiste o vaso com o cotovelo, sem querer, e desarrumaste o tapete.
Deixaste também um sorriso nos meus lábios, e um bem-estar no meu peito.
Tento repor tudo. Varro os cacos do vaso do chão, e ajeito o tapete com o pé, sacudindo-o de qualquer vestígio que lá possas ter deixado.
Os cacos foram postos no lixo e o chão do quarto já está direito, mas ainda não parei de sorrir.
Ainda não me esqueci de como te vi entrar quarto dentro, de rompante e sem pedir licença, a desarrumar tudo porque te apetecia.
Só quando partiste o meu vaso preferido sem querer, é que te ajoelhaste e pediste perdão, e desarrumaste o tapete.
Era meia-noite, e a lua estava cheia. E os teus olhos brilhavam como nunca tinha acontecido, a tua tez tinha uma textura extremamente agradável, e os teus lábios só proferiam as palavras certas nas alturas certas.

Nesse momento, só queria ajoelhar-me contigo e abraçar-te durante um período de tempo indefinido, e ficar ali, no tapete do quarto, a agradecer-Lhe ter-te inventado, enquanto te acariciava a face.
Ao invés disto, aceitei os teus pedidos, ergui-te e encaminhei-te para a porta do quarto.
Tu ainda relanceaste um olhar, e estive mesmo quase a ceder aos encantos dessas pedras jade, mas mantive-me firme e após ter fechado a porta, ainda a tranquei.

Sabia que pelo menos naquele momento, à meia-noite de lua cheia, os nossos seres não seriam tentados a avançarem para áreas que não lhes pertenciam, e manter-se-iam no seu devido local.
Resta saber se, das próximas vezes que resolveres entrar quarto adentro para tudo desarrumar a teu bel-prazer, serei capaz de me manter fiel ao espaço circunscrito ao meu ser, e trancar a porta.

Era meia-noite, e a lua estava cheia. E tão cheia como a lua, estava eu de ti. Cheia de ser forte e com vontade de enfraquecer. Sem o poder fazer.



Resto de um bom dia*

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Andreia Barreiro, Sara Duarte, Sara Gaspar, Raquel Silva



Hoje foi um dia bonito.
Aliás, é sempre bonito partilhar vivências com aqueles que amamos e que nos são próximos.
Não há muitas maneiras de descrever esta cumplicidade que temos, cada uma à sua maneira, umas com as outras. A nossa relação é extremamente completa: inclui divergências, pontos de vista partilhados, variadas experiências, quarenta e sete milhões de toneladas de respeito, e amor. Sobretudo o amor, a maior de todas as coisas.
São estas realidades, que as pessoas tomam por pequeninas, que nos preenchem até ao tutano e nos colocam um sorriso no rosto por um período de tempo indefinido.

“Será que ainda vamos estar assim quando formos velhinhas?”

Claro. Claro que quando formos velhinhas, nos vamos procurar, passar horas em transportes para nos encontrarmos, passear ao frio e tirar fotografias ao luar, sentarmo-nos numa esplanada e conversar sobre assuntos desprovidos de interesse e sobre assuntos sérios.
É claro que quando formos velhinhas ainda vamos limar as arestas umas das outras, subtil e carinhosamente, ainda nos vamos preocupar e dizer coisas que só se tornam significativas passado algum tempo.
É tudo bastante claro, porque quando estamos na presença de algo forte e puro (como o ouro), não duvidamos sequer por um momento que esse algo é eterno.

E isto, parece-me a mim que é bastante eterno. Para ficar guardado nas molduras ou numa caixinha de recordações, até depois da morte.



Um beijinho*




sábado, 17 de fevereiro de 2007

Boneca.



A sociedade de hoje descarta e desvaloriza a responsabilidade.
Destrata a palavra, invalida a honra, desconhece a confiança.
A começar naqueles que presidem a nação, e a acabar nos papás e mamãs que, ou não transmitem esses valores aos filhos, ou se comportam como se nunca lhos tivessem ensinado.
É um ciclo vicioso e negativista, que nos envolve e nos conduz a decisões desacertadas e desprovidas de reflexão.

Ponto final.





(de dia 15 de Fevereiro do presente ano)





Um Beijinho*

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Fita de Cetim


Ao conter todas as emoções numa caixa, algures no armário do meu ser, não me é licito traduzi-las; (re) expressá-las em vocábulos perceptíveis (até) à minha pessoa.
Quando tento, as palavras entalam-se na garganta, querendo sair todas de uma vez só, para que a percepção de determinadas realidades doa menos.
Não há como controlar as malandras, que instalam a balbúrdia e desordem na estrada que as conduz para o exterior, para o mundo audível ou visível em que nos encontramos.
Ao quererem tanto sair atabalhoadamente, acabam por se entalar ou atropelar, acabam por perder a paciência na tentativa frustrada que é fazerem-se ouvir; e nisto desistem.

Cada passo dado, cada hora atravessada, cada respirar, tem sido uma aprendizagem estrondosa e inesperada. Cada pequeno momento passou a ser um local de reflexão, de decisão. Passou a ser um local onde a quietude é desconhecida, pois as transformações são vulcões extremamente activos, que cospem lavas quentes e geradoras de queimaduras dilacerantes.
Depois disto, e através dos gases formados por tantas erupções, vêm as nuvens, e água que inunda, que limpa, que acalma e reage em equilíbrio com todos os compostos formados; de modo a que a lava outrora liquida e marcadamente escaldante, arrefece e solidifica. Transforma-se num solo propício a plantações de novas e frescas sementes; transfigura-se, converte-se em terreno fértil e seguro, conveniente para o amadurecimento de novas ideias e sonhos.

Dadas as circunstâncias, há que saber esperar. Esperar que a época de vulcanismo intenso atinja o seu termo, para que o meu ser repouse e amadureça tantas ideias, conceitos, constatações, sonhos, aspirações. Pode ser que nessa altura eu me dirija até ao armário secreto do meu ser, inspire bem fundo e destranque as palavras guardadas na caixa. Pode ser que as solte e as deixe correr, saltar, brincar, pular por cada recanto de mim. Com certeza que, devido ao seu carisma maroto, atrevido e verdadeiro, elas irão desarrumar a ordem em que me encontrava, partirão alguns objectos de carácter quebrável, abrirão as portas e janelas (que causarão correntes de ar, provocarão alarido e deixarão entrar o sol e o luar). Pode até ser que acordem uns quantos vulcões.

Ainda assim, no tempo certo, eu encaminharei os meus passos para essa caixa e soltarei as palavras que escondo; deixando-as fazer aquilo que lhes compete.
Quem sabe se elas não encontrão a ordem correcta para saírem de mim e se dirigirem até aos teus ouvidos, de modo a que possas escutar o que os meus olhos calam há tanto tempo; de maneira a que o meu verdadeiro sentimento se expresse sem receio de sofrer represálias, sem sentir embaraço de respirar pela existência da tua pessoa.

Quem sabe se um dia elas não falam por mim, e repetem que ainda penso em ti, que ainda me provocas desconforto, arrepios, borboletas, sorrisos, memórias, quente, frio, e tantas, tantas, tantas sensações imprecisas e controversas.

Como eu gostava de soltar já as minhas palavras, e depois soltar-me para te encontrar.





Bom resto de dia*




(Temos uma nova colaboradora)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Em Leiria, regreso do acampamento.




'E neste dia, só quero dizer que desejo que sejas feliz, que te mantenhas íntegra como até agora, e que nunca deixes que ninguém te violente a mente.'








Sim papá, também te amo.



*




sábado, 13 de janeiro de 2007

Regresso a casa, fotografia tirada de dentro do comboio, a um pormenor da estação de Aveiro, salvo erro.




Num local ruidoso e repleto de vidas, eu estou isolada.
Toda eu isolada. Excepto o meu corpo. Fiz de mim uma ilha, isolando os meus canais auditivos para o ambiente exterior.
Ouço as outras vozes, mas ninguém se esforça por se aproximar. Nem com os olhos.


Debruço-me sobre um livro e, sem qualquer espécie de aviso prévio, aprendo uma lição que me marca a alma como uma queimadura. Sei que se algum dia a minha mente não a quiser recordar, terá de enfrentar a enorme cicatriz que esta lição deixou.
Porém, não há quem se aperceba desta súbita transformação, desta revolução interior que me fez entender a maneira incorrecta e leviana com que tenho levado certas descobertas.


Alguém grita por mim, e eu respondo distante.


Comportar-me como um indivíduo socialmente inserido não é o meu objectivo momentâneo.
Agora, quero mais é mergulhar no livro que contém imensas ideias que se desencontram das minhas, mas que traduz em imagens e palavras sábias as lições que queimam.
Para eternamente.




-*-





“Levantou-se o foi até à janela do seu quarto, olhar Dublin adormecida.
Lembrou-se do pai, que costumava fazer isso quando ela acordava com medo.
A lembrança trouxe-lhe de volta uma outra cena da sua infância.

Estava na praia com o pai e ele pediu-lhe para ver se a temperatura da água estava boa. Ela tinha cinco anos e ficou contente por poder ajudar; foi até à beira da água e molhou os pés.
- Molhei os pés, está fria – dissera.
O pai pegou-a ao colo, caminhou com ela até à beira do mar e, sem qualquer aviso, atirou-a para dentro de água. Ela apanhou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira.
- Como é que está a água? – perguntou o pai.
- Está boa – respondeu.
- Então, daqui para a frente, quando quiseres saber alguma coisa, mergulha nela.”








Brida, Paulo Coelho (pág. 77)



Um Beijinho*

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Estava frio, na casa da Carlinha (:


Este ano não me apeteceu consciencializar as pessoas para o verdadeiro significado do natal, nem fazer um post a desejar um bom ano novo, nem nada dessas coisas já tão habituais, e que de alguma forma começam a perder o significado.

Para os visitantes regulares deixo, como é óbvio, uma vénia grande por ainda lerem este humilde blog q: e o desejo de que se divirtam imenso enquanto o terror dos horários escolares não nos atormenta.

Vim cá apenas para me despedir formalmente, visto que pela primeira vez na história da minha existência vou ao Retiro de Fim de Ano, no fabularinário Acampamento de Água de Madeiros (dá pulos de alegria, enquanto se ri de uma forma um tanto-ó-quanto … parvinha).

Vão ser os melhores dias das férias inteiras, sem contar com os momentos na casa da Avó Anita, a coreografar músicas em silêncio com a Primoca, a rir com o papá e com a mamã pela webcam, a dar massa ao Afonso enquanto ele queria arroz, a tirar fotografias ao tio com o gorro das neves que o outro tio deu à sobrinha … e etc. x’D

Então, até breve para quem não verei durante uns dias, e até amanhã para a Kala, o Zaqueu, a Sara Gaspar, a Sofia e mais umas quantas pessoas que têm o mesmo privilégio que eu ! :’D






Beijinho*



P.S. Eu não sei se a Senhora Prozac e a Lilo vão, mas que eu gostava que elas fossem e que ficássemos novamente no quarto 24, ai isso gostava. (E MUITO!)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

TRIBUTO À FAMÍLIA, MAIS PRECISAMENTE, AOS 'IRMÕES' E AOS PRIMOS
Cristiana, Ana Carolina, Afonso . (A Cristiana e o Afonso são 'irmões') .

Erik.


Iara , Erik .



Meio-Marcos , Erik .


Ana Carolina .


Ana Carolina, on fire .


Afonso.




Marcos , Afonso.





Marcos , Afonso.



Marcos , Afonso.




Marcos , Afonso.




Iara (a Iara é (pseudo)ginasta. Por isso é que está tão pintada)


Iara , Afonso.


Emília Mitocôndria , Ana Carolina.


Eu , Ana Carolina.


Faltam aqui, entre muuuuuitos outros, o Milton (irmão da Ana Carolina) e mais fotografias da Cristiana que aparece poucas vezes.

Grande família esta. Literalmente.

(é necessário esclarecer que são t-o-d-o-s meus primos, excepto o Marcos e a Iara)




Beijinho*

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

É (mesmo mesmo mesmo) bom ter uma máquina fotográfica.



Abri o Word e desatei a pensar na maneira mais correcta de rechear uma folha inteirinha deste documento.
Sim, acho que uma folha chega para explorar as minhas tentativas de expressão.
(Paro e fico a olhar para o ecrã e para o teclado com uma carinha a tender para o palerma sem saber que letras combinar, que frases reordenar).

Bocejo e espreguiço-me.

Não quer sair. Ainda para mais a mamã frisa que já é tarde e que tenho de desligar o computador. Ouço os seus passos a dirigirem-se para a sala; repete o repetido.

A olharem para mim, as paredes e as cortinas e as janelas e a varanda, fazem lembrar e pensar em todas as ocorrências que presenciaram.
Agora, só observam o esforço que faço para me espremer, e exprimir.

O piano trauteia baixinho, também aquele pensamento tendenciosamente proibido, adjacente a ti. Irrita-me que surja um sorriso sorrateiro, um batimento acelerado e tantas tolices juntas, só de rememorar.
Te.


(Só apinhei um terço da folha.)



Beijinho*

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

' Mostra os dentes, Afonso.' (no jogo de Basquet do mano Marcos)


Tanta vez que eu já vi
Lá fora um par sorrir
Com as mãos dadas ao luar.
E a luz cobre-os como um véu.
(Parecia quase a luz do céu)
Eu queria tanto amar!
Amar com tal fervor.
Eu queria tanto esse amor!
Mas sou um monstro
E no meu véu,
Não desce nunca a luz do céu.

De súbito, um anjo, sorriu pra mim.
E deu-me um beijo sem nenhum pavor.
Ouso sonhar assim,
Com um secreto amor.
E quando o sino repicar...
A escura torre vai brilhar.
Vejo descer a luz do céu.


Quasimodo in O Corcunda de Notre Dame



Gosto particular, especial e indefinidamente dos filmes da Disney.



Um Beijinho